Os meus discos abirritantes

Os "The Pretenders", do Reino Unido, lançaram em 1980 o álbum homónimo (de que se pode ouvir "Tattoed Love Boys") e foram aclamados pela revista “Rolling Stone” como a grande revelação do ano. Chrissie Hynde sempre apareceu como a imagem de marca, mas a verdade é que Honeyman-Scott, Pete Farndon e Martin Chambers asseguravam um som que prometia um grande futuro. Contudo, a morte prematura de Honeyman Scott em 1982 e a saída de músicos residentes e convidados em 1983 para acompanharem Paul McCartney fizeram com que a banda, apesar de universalmente conhecida, não confirmasse o que prometera em 1980.

As pessoas primeiro, lembram-se?

No último ano Portugal perdeu 178.000 postos de trabalho. Os mais prejudicados foram essencialmente os sectores da construção, indústria transformadora, turismo e restauração. O número oficial de desempregados saltou para as 547,7 mil pessoas, tendo o aumento sido mais expressivo entre as pessoas com 45 anos ou mais. Mas também podemos considerar que são mais de 730 mil os desempregados pois existem cerca de 82,7 mil pessoas que não procuraram emprego nos tempos mais recentes, 33,8 mil que acham que não vale a pena procurar e cerca de 66,5 mil em sub-emprego visível. Se isto já é mau, ainda pior é sabermos que o INE garante que só 240 mil pessoas recebem subsídio de desemprego, enquanto que a Tutela diz que são 350 mil. Seja como for, sempre seriam quase 200 mil a ficar de fora! Se calhar são os que vegetam à custa do RSI ou dos assaltos e da droga.
Uma coisa é certa, e sejam 547 ou 730 mil, a esmagadora maioria quer é que os bem-querentes que derramam lágrimas de crocodilo nos jornais, televisão e blogues enfiem o crocodilo pelo cu acima porque o que eles queriam mesmo era ... trabalhar! O resto é conversa.

Nós também vamos!

Quanto mais não fosse, a comunidade lusa da África do Sul merecia um desfecho assim. Sem a ajuda da mão, que isso é coisa de gauleses, dobramos a Bósnia. Para já falta-nos um guarda-redes completo, um defesa esquerdo e um outro Deco que, no meio campo, assegure com criatividade e precisão de passe a transição da bola entre a defesa e a linha da frente mas, em compensação, temos um seleccionador que na hora da vitória aparece zangado. Ontem, nas primeiras reacções, cheguei a temer um "as senhoras que me perdoem, mas chupem e continuem chupando" como fez o Maradona. Por falar nisso, vendo como não joga a Argentina sob a batuta de El Pibe, digam lá se não somos tentados a ser cem por cento queirosianos? Pelo menos, o nosso é um "dandy"!

A grande suspeita

Suspeitar é o mesmo que conjecturar, imaginar com certos dados mais ou menos seguros. Está no dicionário e não há que duvidar. Ou seja, é ter e alimentar uma desconfiança mais ou menos fundada. Em Portugal tanto o substantivo feminino, como o verbo transitivo estão na moda e vieram para ficar. E nesse domínio, é bem verdade que entre nós temos alguém que é o campeão da suspeita. Esta, noutros tempos, estranhava-se, hoje entranhou-se. Nunca como hoje em qualquer esquina, jornal, canal de televisão ou na blogosfera se recorre ao expediente fácil de atirar pedras e depois, qual Octávio Machado, afirmar "vocês sabem do que estou a falar" sem apresentar factos, certezas. E não é só sobre o campeão Sócrates. Sobre qualquer um impende esse cutelo. Muitas das vezes da infâmia! Esta anomia atravessa de alto abaixo a sociedade e a estrutura do Estado, e é semente da qual não sairá grande fruto.

Quando a Islândia derreteu!

A quem vai o FMI dar uma ajuda de 1,5 mil milhões de euros até 2011? E quem terá uma dívida externa de 310% do PIB até ao final de 2009? E cuja economia ainda vai recuar 8,5% este ano? E que vai ver o desemprego subir 7,5%? E viu há pouco a McDonald’s e a Burger King zarparem? Ou tem um luxuoso "spa" a oferecer diárias a 23,00€? A Islândia, pois está claro! Para alguns indetectável no mapa-múndi, a esta de nada valeu ser o país mais letrado do mundo, não ter desemprego e os melhores índices de qualidade de vida. Quando veio a crise, a bolha rebentou! Agarra-se agora à maçaneta da porta da União Europeia como náufrago a um bocado de madeira. Seria bom que este exemplo servisse de lição a todos, porque é ao pé da porta e prova que se vai da riqueza à penúria num instante. Contudo, é de temer que nada disso suceda porque a Islândia é longe e a desgraça é sempre com os outros. Daí que um amigo dum amigo que eu cá conheço, aproveitando os preços de saldo, tenha decidido ir conhecer a ilha de Björk e dos Sigur Rós. Como o dinheiro era pouco, pediu um empréstimo!

Muito penam os ricos angolanos!

O mercado dos produtos de luxo em Portugal, apesar da crise, tem conseguido marcar pontos. Se em Braga, a representação da germânica Porsche vende ao pontapé, já em Lisboa e no Porto são os endinheirados de Angola que fazem as delícias de quem vende relógios a 47.000,00€ (por sinal, mais baratos que algumas jóias da mesma joalharia), Aston Martin’s, vestidos únicos e até boiões de creme personalizado a custarem a módica quantia de 12.000,00€. José Eduardo dos Santos é um dirigente exemplar, o MPLA um partido de excelência e Angola uma democracia notável pois só com estes atributos se consegue explicar toda a prosperidade manifestada pelos eleitos que, sacrificando-se pelo povo, fretam aviões para vir às compras. Quem falar em corrupção, lavagem de dinheiro e esquemas semelhantes é, obviamente, uma má-língua!

Os meus discos abirritantes

Formados em 1976, separaram-se em 1992 após gravarem quatro álbuns e reuniram-se em 2008. Oriundos de Haledon, Nova Jérsia, os THE FEELIES nunca foram uma referência no que a vendas concerne, mas marcaram claramente a cena "indie" com o seu primeiro disco “Crazy Rythms” a servir de referência aos REM, por exemplo.
O seu som ficou marcado por recorrerem a múltiplas camadas de sons de guitarra; aqui fica "Moscow Nights"